Aparelho para apneia do sono: quando o CPAP é necessário e quais as alternativas

O CPAP é o tratamento de referência para a apneia obstrutiva do sono, principalmente nos casos moderados e graves. Ele é um aparelho que envia ar sob pressão por uma máscara e mantém a via aérea aberta durante a noite, impedindo o colapso que causa as pausas na respiração. Existem alternativas — aparelho intraoral, cirurgia, tratamento da obstrução nasal, mudança de posição ao dormir e perda de peso —, mas elas não substituem o CPAP em todos os casos: a escolha depende da gravidade, da anatomia de cada pessoa e da adaptação ao aparelho.

Três formas de tratar a apneia do sono: o CPAP, com máscara ligada a um aparelho que envia ar sob pressão; o aparelho intraoral, que avança a mandíbula; e a cirurgia, que amplia o ponto da via aérea que colapsa

Como o CPAP funciona

O aparelho sopra ar em pressão contínua através de uma máscara — que pode cobrir só o nariz, o nariz e a boca, ou apenas as narinas. Essa pressão sustenta a garganta por dentro, impedindo que os tecidos se fechem quando a musculatura relaxa durante o sono.

Ele age enquanto está sendo usado: nas noites sem o aparelho, a apneia volta. Por isso o uso regular é a parte mais importante do tratamento.

Por que ele é a primeira escolha

Nenhum outro tratamento controla tantos eventos respiratórios por noite, inclusive nos casos graves, e o efeito costuma aparecer já nas primeiras semanas: sono mais contínuo, menos sonolência durante o dia.

O ponto fraco não é a eficácia, é o uso. Revisões mostram que uma parcela grande dos pacientes acaba não usando o aparelho o suficiente — em uma revisão publicada no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, entre 46% e 83% não atingiam o mínimo considerado adequado, de quatro horas por noite. Um aparelho muito eficaz que fica na gaveta não trata ninguém, e é daí que vem a discussão sobre alternativas.

O que costuma atrapalhar a adaptação

Boa parte das dificuldades tem solução, e vale conversar sobre elas antes de desistir:

  • Nariz entupido. É a queixa mais comum. Respirar contra pressão com o nariz obstruído é desconfortável e faz o ar escapar pela boca.
  • Máscara mal ajustada, que vaza ou marca o rosto — muitas vezes é questão de trocar o modelo ou o tamanho.
  • Boca e garganta secas, geralmente resolvidas com o umidificador.
  • Sensação de pressão excessiva ao adormecer, que pode ser ajustada.
  • Claustrofobia, que costuma melhorar com modelos menores de máscara e com um período de adaptação usando o aparelho acordado.

O tratamento da obstrução nasal tem um papel específico aqui. A cirurgia nasal isolada raramente resolve a apneia, mas melhora a tolerância ao CPAP e permite tratar com pressão menor — na mesma revisão brasileira, a pressão média necessária caiu de 11,9 para 9,2 cm de água depois da cirurgia. Às vezes a cirurgia entra para viabilizar o CPAP, não para substituí-lo.

Aparelho intraoral

É uma placa feita sob medida, usada na boca durante o sono, que projeta a mandíbula para a frente e amplia o espaço atrás da língua. É a principal alternativa ao CPAP e costuma ser considerado primeira opção na apneia leve a moderada, além de ser uma escolha razoável em casos graves quando o CPAP não foi tolerado.

Ele reduz menos os eventos respiratórios que o CPAP, mas tende a ser usado com mais constância — e o resultado prático pode acabar equivalente, porque o tratamento usado todas as noites supera o tratamento melhor que fica sem uso. Os efeitos indesejados mais comuns são desconforto nos dentes, dor na articulação da mandíbula e salivação aumentada, geralmente leves. O acompanhamento é feito em conjunto com o dentista.

Quando a cirurgia entra

A cirurgia é considerada principalmente para quem não se adaptou ao CPAP ou não quer usá-lo, e depende de identificar onde a via aérea colapsa: nariz, céu da boca, amígdalas, base da língua, ou mais de um ponto ao mesmo tempo. Não existe “a cirurgia da apneia” — existe a cirurgia adequada àquele ponto de obstrução.

Essa avaliação é feita no exame do consultório, somada ao resultado do exame do sono. Perda de peso e mudança de posição ao dormir entram como medidas complementares, com peso maior em quem tem sobrepeso ou eventos concentrados de barriga para cima.

Se você já tem o diagnóstico e não conseguiu se adaptar ao aparelho, agende uma consulta para discutir quais alternativas fazem sentido no seu caso.

Referências

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