Apneia do sono: como é feito o exame

O exame que diagnostica a apneia do sono é a polissonografia: uma noite inteira de sono monitorada em um laboratório do sono, com sensores que registram ao mesmo tempo a respiração, o oxigênio no sangue, os batimentos do coração, os movimentos do corpo e as fases do sono. É indolor, não usa agulha, contraste nem sedação, e a pessoa dorme normalmente enquanto o registro acontece. É o exame de referência para fechar o diagnóstico.

Pessoa dormindo com os sensores da polissonografia: faixas no tórax e no abdome para medir o esforço respiratório, cânula sob o nariz para o fluxo de ar, sensor no dedo para o oxigênio e eletrodos na cabeça para registrar as fases do sono

O que os sensores medem

Nada é invasivo: os sensores são colados na pele ou presos com faixas elásticas. É a leitura conjunta de todos eles que dá o diagnóstico.

  • Cânula nasal e sensor de fluxo: medem o ar que entra e sai pelo nariz e pela boca, mostrando quando a respiração diminui ou para.
  • Faixas no tórax e no abdome: mostram se o corpo continuou fazendo esforço para respirar durante a pausa — é isso que separa a apneia obstrutiva, em que a via aérea fecha mas o esforço continua, de outros tipos de apneia.
  • Oxímetro no dedo: acompanha a queda de oxigênio no sangue a cada evento.
  • Eletrodos no couro cabeludo, ao redor dos olhos e no queixo: registram as fases do sono e os microdespertares, que a pessoa não percebe mas fragmentam o descanso. São eles que permitem saber quanto houve de sono de verdade, e não apenas de tempo deitado.
  • Eletrodos no peito e nas pernas: acompanham o ritmo do coração e os movimentos das pernas.
  • Microfone e sensor de posição: registram o ronco e mostram se os eventos pioram de barriga para cima, informação que muda a orientação de tratamento.

Como é a noite do exame

A pessoa chega ao laboratório no fim da tarde ou começo da noite, com a rotina do dia normal — sem precisar ficar sem dormir na véspera. O quarto é individual, com cama comum, e vale levar o próprio pijama e manter os horários de sempre.

A montagem dos sensores leva de trinta a quarenta e cinco minutos e é feita por um técnico. Depois disso é só ler ou assistir algo até sentir sono. Os fios se conectam a uma caixa junto à cama, que pode ser desacoplada para ir ao banheiro — basta chamar o técnico, que acompanha o exame de uma sala ao lado a noite inteira.

De manhã os sensores são retirados e a pessoa segue o dia normalmente, sem nenhuma restrição. O laudo não sai na hora: o registro precisa ser analisado trecho a trecho.

Uma dúvida frequente: é comum dormir pior do que em casa, pelo ambiente novo. Isso é esperado e não invalida o resultado — a supervisão do técnico a noite toda permite corrigir sensor que se solte e garantir registro suficiente.

O que o resultado mostra

O principal número do laudo é o índice de apneia e hipopneia (IAH): a média de eventos respiratórios por hora de sono. A partir dele, a apneia é classificada em leve, moderada ou grave.

Mas o número sozinho não define a conduta. O laudo também mostra quanto o oxigênio caiu, se os eventos se concentraram em alguma posição ou fase do sono, e quanto o sono foi fragmentado. Dois exames com o mesmo IAH podem levar a orientações diferentes por causa desses detalhes — e os sintomas do dia a dia entram na decisão junto com o exame.

Se você ronca, acorda cansado ou já ouviu que faz pausas ao dormir, agende uma consulta para saber se o exame do sono está indicado no seu caso.

Referências

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