Audiometria: como é feito o exame de audição

A audiometria é um exame simples, indolor e rápido: o paciente fica em uma cabine com isolamento acústico, usa fones e avisa cada vez que ouve um som, por mais fraco que ele seja. Não precisa de preparo, não usa agulha nem contraste, e pode ser feito em qualquer idade — em criança pequena, com jogos no lugar do botão.

Esquema do exame de audiometria, com a pessoa na cabine usando fones e o audiograma resultante, com as frequências no eixo horizontal e a intensidade no vertical

As partes do exame

Audiometria tonal. Mede o som mais fraco que você escuta em cada frequência, do grave ao agudo, um ouvido de cada vez. É o que constrói o audiograma. Feita de dois modos:

  • Via aérea, com os fones: testa o caminho completo do som, do conduto ao nervo.
  • Via óssea, com um pequeno vibrador atrás da orelha: o som vai direto para o ouvido interno, pulando o conduto e o tímpano.

Corte do ouvido com os dois caminhos do som: a via aérea atravessa o conduto, o tímpano e o ouvido médio até o ouvido interno; a via óssea parte do vibrador atrás da orelha e chega direto ao ouvido interno

A diferença entre as duas é o que mais informa. Se a via óssea está boa e a aérea está ruim, o problema está na condução — cera, tímpano, ouvido médio. Se as duas estão igualmente ruins, o problema está no ouvido interno ou no nervo.

Audiometria vocal. Mede o quanto você entende, e não só o quanto ouve. Você repete palavras em diferentes volumes. É a parte que explica a queixa mais comum do consultório: “eu ouço, mas não entendo”.

Imitanciometria (também chamada de impedanciometria). Não depende da sua resposta. Um aparelho varia a pressão dentro do conduto e mede como o tímpano se movimenta — é o que mostra líquido atrás do tímpano, tímpano retraído e tuba auditiva sem funcionar. Também testa um reflexo automático do ouvido a sons fortes.

O que o resultado mostra

O audiograma é um gráfico: as frequências, do grave ao agudo, na horizontal; a intensidade em decibéis na vertical. Quanto mais para baixo a marca, mais forte o som precisou ser para você ouvir — ou seja, pior a audição naquela frequência.

A classificação considera até 25 dB como audição normal, com perda leve, moderada, severa e profunda acima disso. Mas o número sozinho não conta a história: uma perda restrita aos agudos, por exemplo, atrapalha a compreensão da fala em ambiente com ruído muito antes de aparecer como perda importante na média.

Quando ele é pedido

  • Audição diminuída, de um lado ou dos dois
  • Sensação de ouvido tampado que não passa
  • Dificuldade para entender em ambiente com ruído
  • Criança com atraso de fala, otites de repetição ou desatenção na escola
  • Antes e depois de cirurgias do ouvido
  • Exposição a ruído no trabalho, para acompanhamento
  • Perda auditiva súbita — nesse caso o exame é urgente

Alguns cuidados antes

Não é preciso jejum nem suspender medicação. Vale evitar exposição a som muito alto nas horas anteriores, porque isso desloca o limiar temporariamente. E, se houver cera bloqueando o conduto, ela precisa ser retirada antes: com o conduto tampado, o resultado mostra uma perda de condução que é da cera, não da audição.

Se você percebeu que está ouvindo menos ou que passou a pedir para repetirem, agende uma consulta para examinar o ouvido e avaliar se é necessária a solicitação de uma audiometria.

Agende uma consulta

Referências