Desvio de septo: quando é preciso operar

A cirurgia de desvio de septo (septoplastia) costuma ser indicada quando o desvio causa dificuldade para respirar pelo nariz de forma persistente, que atrapalha o dia a dia ou o sono, e que não melhorou com tratamento com medicação. Desvio de septo visto em um exame, sozinho, não é motivo para operar: a maioria das pessoas tem algum grau de desvio e nunca precisa de cirurgia.

Comparação entre um septo nasal centrado e um septo desviado, que estreita a passagem de ar de um dos lados

O que é o desvio de septo

O septo é a parede que divide o nariz em duas fossas nasais. Ele é feito de cartilagem na frente e de osso atrás, e é revestido por mucosa. Quando essa parede não está no meio — por formação natural do crescimento do rosto ou por um trauma antigo, às vezes na infância e esquecido — uma das passagens de ar fica mais estreita que a outra. Isso é o desvio de septo.

O que decide a conduta não é o tamanho do desvio na imagem, e sim o quanto ele atrapalha a respiração.

Sinais de que o desvio está atrapalhando

  • Nariz entupido a maior parte do tempo, quase sempre pior de um lado
  • Dificuldade de respirar pelo nariz deitado ou durante exercício
  • Boca seca ao acordar, por respirar pela boca durante a noite
  • Ronco, sono pouco reparador
  • Uso frequente de descongestionante nasal para conseguir respirar
  • Sinusites e sangramentos nasais de repetição

Quando a cirurgia costuma ser indicada

A septoplastia entra em discussão quando esses pontos aparecem juntos:

  • A obstrução nasal é persistente, não apenas em crises pontuais.
  • O exame mostra que o desvio explica o lado obstruído.
  • Já houve um período de tratamento com medicação — em geral corticoide nasal e controle de alergia — sem melhora suficiente.
  • O sintoma tem impacto real na rotina: sono, exercício, disposição, concentração.

Em muitos casos a cirurgia é combinada com a redução das conchas nasais (turbinectomia parcial), porque as duas coisas contribuem para o mesmo sintoma. Essa decisão é tomada no exame, caso a caso.

Quando a cirurgia não é o primeiro caminho

  • Rinite alérgica não controlada. O septo não causa espirros, coceira e coriza. Operar sem tratar a alergia costuma decepcionar.
  • Desvio pequeno e sem sintoma. Não se opera um achado de exame.
  • Nariz que entope alternando os lados ao longo do dia. Isso costuma ser o ciclo nasal normal ou inflamação da mucosa, não o desvio.
  • Crianças. A conduta é mais conservadora: a cirurgia fica reservada a sintomas importantes que não melhoram, com técnicas que preservam as áreas de crescimento do nariz.

Como o otorrino avalia

A avaliação começa pela história: há quanto tempo, qual lado, o que melhora e o que piora, o que já foi usado. Em seguida vem o exame do nariz, muitas vezes com endoscopia nasal, um aparelho fino com câmera que mostra o septo, as conchas e a parte de trás do nariz. Tomografia não é rotina — é pedida quando há suspeita de sinusite crônica ou outra alteração associada.

É comum o médico propor um período de tratamento com medicação antes de decidir. Isso não é adiar a solução: é separar o que é inflamação (reversível) do que é obstrução por estrutura (que a medicação não corrige).

E se eu não operar

Desvio de septo não é urgência e não vira algo grave por esperar. O custo de não tratar é de qualidade de vida: sono ruim, cansaço, respiração pela boca e dependência de descongestionante — este último merece atenção, porque o uso prolongado piora a obstrução.

Se respirar pelo nariz virou um incômodo diário, agende uma consulta para entender se o seu caso é cirúrgico.

Referências

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