Ronco e apneia do sono: qual a diferença

Roncar e ter apneia do sono não são a mesma coisa. O ronco é o barulho da vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa por uma passagem estreitada. A apneia obstrutiva do sono é quando essa passagem chega a fechar e a respiração para por alguns segundos, repetidas vezes ao longo da noite. Quase todo mundo que tem apneia ronca, mas a maioria de quem ronca não tem apneia — e a única forma de separar os dois é um exame de sono.

Corte lateral da garganta durante o sono: à esquerda, a passagem de ar está estreitada e os tecidos vibram, produzindo o ronco; à direita, a passagem está fechada e o ar não passa, o que caracteriza a apneia

O que acontece na garganta de quem ronca

Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa. Se a passagem do ar já é estreita — por causa do formato do céu da boca, de amígdalas grandes, da posição da língua, do nariz obstruído ou do acúmulo de gordura na região do pescoço —, o ar precisa passar mais rápido por um espaço menor. Esse fluxo turbulento faz os tecidos moles vibrarem, e a vibração é o som do ronco.

Ou seja: o ronco já é um sinal de que existe estreitamento. Ele indica que a via aérea está trabalhando com folga menor do que deveria.

O que muda na apneia do sono

Na apneia, o estreitamento vai além da vibração: a passagem colapsa e o ar para de entrar. O corpo reage a essa parada com um despertar muito breve, em geral não percebido, que reabre a via aérea — muitas vezes com um engasgo ou um ronco mais alto. Depois o sono retoma e o ciclo recomeça.

Quando isso se repete muitas vezes por hora, duas coisas acontecem: o oxigênio no sangue oscila para baixo várias vezes por noite, e o sono nunca chega a ser contínuo o suficiente para descansar. É daí que vêm o cansaço e os efeitos sobre o coração e a pressão.

Sinais de que o ronco pode ser apneia

  • Pausas na respiração durante o sono, geralmente notadas por quem dorme junto
  • Acordar engasgado ou com sensação de sufocamento
  • Acordar cansado mesmo depois de dormir muitas horas
  • Sonolência durante o dia, principalmente em situações paradas — no trânsito, em reuniões, na frente da televisão
  • Dor de cabeça ao acordar, boca seca
  • Acordar várias vezes à noite para urinar
  • Pressão alta difícil de controlar
  • Dificuldade de concentração e memória, irritabilidade

Nenhum desses sinais isolado fecha o diagnóstico, mas vários juntos são motivo para investigar.

Por que a conversa e o exame físico não bastam

Esta é a parte que costuma surpreender: nem a descrição dos sintomas nem o exame da garganta conseguem distinguir com segurança o ronco simples da apneia. Duas pessoas com o mesmo ronco alto podem ter exames de sono completamente diferentes. É o registro do sono que separa os dois quadros.

E o ronco sozinho, faz mal?

Quando a investigação afasta a apneia, o quadro é chamado de ronco isolado. Se ele traz risco cardiovascular por si só ainda é uma questão em aberto na literatura — os estudos não chegaram a uma resposta única.

O que é concreto: o ronco atrapalha o sono de quem divide o quarto, é uma queixa frequente em consultório por esse motivo, e pode se acentuar com ganho de peso, uso de álcool à noite e com o passar dos anos. Vale acompanhar mesmo quando o exame inicial não mostra apneia.

Se você ronca e acorda cansado, ou se alguém já percebeu pausas na sua respiração durante o sono, agende uma consulta para investigar.

Referências

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