Septoplastia: como é a recuperação
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A recuperação da septoplastia costuma ser mais tranquila do que a maioria das pessoas imagina, mas tem uma ordem: os primeiros dias são os piores, com o nariz entupido por inchaço e crostas, a maior parte das pessoas volta às atividades leves em cerca de uma semana, o exercício é liberado aos poucos entre a segunda e a quarta semana, e a respiração termina de se acomodar por volta de um a dois meses. Dor forte não é o esperado.
Os primeiros dias
O nariz sai da cirurgia entupido — e isso não quer dizer que a cirurgia não funcionou. O que fecha a passagem nessa fase é o inchaço da mucosa, mais as crostas e o splint, o curativo colocado dentro do nariz para estabilizar o septo. A retirada do splint costuma ser feita entre 7-10 dias, no consultório, e é rápida.
Nesses primeiros dias é comum:
- Secreção rosada ou com raias de sangue, diminuindo a cada dia
- Sensação de pressão no nariz e no rosto, e boca seca por respirar pela boca
- Dor leve a moderada, controlada com o analgésico prescrito
A parte mais desconfortável do pós-operatório costuma ser a obstrução causada pelo splint (curativo) e pelas crostas.
A primeira e a segunda semana
A primeira é a semana de ficar em casa, ainda com o splint no lugar. A orientação habitual é evitar assoar o nariz, pegar peso, abaixar a cabeça e qualquer esforço que aumente a pressão. Quem tem trabalho de escritório costuma voltar por volta da segunda semana, em geral depois de retirar o splint; trabalho pesado espera mais.
A lavagem nasal com soro entra aqui e faz diferença real: ela dissolve as crostas, que são a principal causa da sensação de nariz seco e entupido nas duas primeiras semanas.
Duas a quatro semanas: voltando a se exercitar
Caminhada leve costuma ser liberada antes; corrida, musculação pesada e esportes com risco de trauma no nariz esperam mais tempo, em geral a partir da quarta semana. O motivo é simples: esforço aumenta a pressão e o risco de sangramento.
Quando a respiração melhora de verdade
Em um estudo brasileiro com 72 pacientes, a melhora mais marcante da obstrução apareceu já na primeira semana, houve ganho adicional até o 30º dia, e daí em diante o quadro se estabilizou: no 60º dia, 94% dos pacientes respiravam melhor do que antes da cirurgia. Ou seja, não vale julgar o resultado nas primeiras semanas, quando o inchaço ainda manda.
Sinais que merecem contato antes da revisão
Complicações são incomuns — nas séries publicadas ficam em torno de 5%, a maioria delas menor. Ainda assim, procure seu médico se aparecer:
- Sangramento que não para com compressão da narina
- Febre, dor que aumenta em vez de diminuir, secreção com pus
- Nariz que volta a entupir dos dois lados com dor e abaulamento do septo — pode ser um hematoma, que precisa ser drenado
Se a recuperação ainda deixa dúvidas, agende uma consulta.
Referências
- Velasco LC, Arima LM, Tiago RSL. Assessment of symptom improvement following nasal septoplasty with or without turbinectomy. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2011.
- Kurtaran H, et al. The effect of different nasal irrigation solutions following septoplasty and concha radiofrequency: a prospective randomized study. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2018.
- Preda MA, et al. Endoscopic Septoplasty — A Narrative Review of Outcomes, Complications and Patient-Reported Score. Medicina (Kaunas), 2026.